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MINHA SALA DE AULA

Page history last edited by PBworks 4 years, 10 months ago

MINHA SALA DE AULA

Trabalho em uma escola da Rede Estadual de Ensino, ela é a minha escola do coração, uma escola como a que é muito bem retratada na poesia de Paulo Freire:

 

A ESCOLA

Escola é...

O lugar onde se faz amigos,

Não se trata só de prédios, salas, quadros,

Programas, horários, conceitos...

Escola é, sobretudo, gente,

Gente que trabalha, estuda,

Que se alegra, se conhece, se estima.

O diretor é gente,

O coordenador é gente, o professor é gente,

O aluno é gente,

Indiferente, frio, só.

Cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor

Na medida em que cada um

Se comporte como colega, amigo, irmão.

Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”.

Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir

Que não tem amizade a ninguém,

Nada de ser como o tijolo que forma a parede,

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

É também criar laços de amizade,

É criar ambiente de camaradagem,

É conviver, é se “amarrar nela”!

Ora, é lógico...

Numa escola assim é fácil

Estudar, trabalhar, crescer,

Fazer amigos, educar-se, Ser feliz.

A minha escola está situada em um terreno amplo e os prédios espalhados, sem muita coerência, neste terreno.

As salas de aula estão dispostas em dois pavilhões de dois andares. A minha sala de aula fica no segundo prédio no piso térreo, a última sala do corredor.

È uma sala que comporta, com tranqüilidade, trinta crianças. Tem janelões e cortinas para impedir que o sol atrapalhe a visibilidade, tem dois ventiladores, um quadro em boas condições e dois armários bem velhos.

Trabalho nos dois turnos com segundas séries, a da manhã com 23 alunos, sendo 6 meninos e 17 meninas, todos com idades entre 8 anos e 11anos, alguns repetindo a série novamente. Eles tem um nível sócio econômico e cultural baixo, com pais, na sua maioria com o primeiro grau incompleto e com pouquíssimos(dois) com segundo grau, mas nenhum analfabeto. São pessoas que trabalhão a nível de operariado, muitos desempregados fazendo “bicos” e muitas mães que constam como “do lar”.São crianças de famílias muito numerosas, todos tem irmão mais velhos e mais novos, nenhum é filho único.

Destes 11 já tiveram acesso ao computador, somente um tem em casa, os que já tiveram acesso usaram-no para jogar e desenhar. Pude verificar que é com alegria que dizem que já chegaram até um computador e que mexeram no mesmo.

A da tarde com 26 alunos, turma com 10 meninas e 16 meninos,

O nível social é o mesmo e o primeiro grau incompleto também é o grau de escolaridade da maioria dos pais, mas aqui 9 tem o segundo grau o que aumenta um pouco o nível, mas aqui também tem um pai analfabeto, o nível também é de operário, mas alguns um pouco mais qualificados e novamente muitas mães ficam cuidando do lar, sem emprego. São famílias numerosas também, com irão maiores quase todos, somente alguns com mais novos e dois são filhos únicos.

Do total 11 já tiveram acesso a computadores e o utilizaram para jogar na maioria e desenhar, destes quatro possuem computador em casa.

Procuro fazer com que a minha sala de aula fique, através de trabalhinhos e cartazes, agradável e ao mesmo tempo alegre. Utilizo espaços diferenciados para distribuir os trabalhos. Tem a parede dos trabalhos de arte e a parede de cartazes de auxílio à aprendizagem.

Este anos, devido ao corte de verbas, estamos meio pobres em materiais e não estamos tendo a oportunidade de enfeitar tanto, mas fazemos o possível para tornar o ensino atraente e diversificado, pois com toda esta evolução, nós educadores, estamos tendo um papel cada vez mais importante na vida das crianças. E é com esta intenção de suprir todas as lacunas das crianças que al[em dos conteúdos pré determinados busco formar em cada ser que me é dado durante o ano formar hábitos que possam torna-los indivíduos plenos.

Sei que são pinceladas, mas que para muitos é o começo de uma trajetória, de uma mudança, de um crescimento, que deverá acrescentar muito nesta caminhada a que se propuseram.

E finalmente, analisando o panorama das turmas vejo que tenho muitas (a maioria) crianças percorrendo todo o caminho da segunda série com segurança e crescimento, algumas com grandes dificuldades, principalmente na leitura e mudança de letra, que é, realmente o grande desafio deste semestre, coloca-los na mesma posição dos outros.

No contexto geral são turmas calmas e tranqüilas que tem grandes possibilidades de sucesso e alto índice de aprendizagem formando um grupo homogêneo.

Sentirei que os objetivos, metas e desafios foram alcançados quando no final do período proposto, enxergar no semblante de cada criança: a confiança, a alegria e o desenvolvimento adequado ao proposto resultando isto no otimismo descrito por Fernando Savater no texto abaixo.

“ Como indivíduos e como cidadãos, temos perfeito direito a ver tudo na cor característica da maior parte das formigas e de grande número de telefones antigos, ou seja, muito preto. Enquanto educadores, porém, não nos resta outro remédio senão ser otimistas. Educar é crer na perfectibilidade humana, na capacidade inata de aprender e no desejo de saber que há coisa (símbolos, técnicas, valores, memórias, fatos...) que podem ser sabidas e que merecem sê-los – e que nós, homens, podemos melhorar uns

aos outros por meio do conhecimento. De todas essas crenças otimistas podemos muito bem descrer privadamente, mas se queremos educar ou entender em que consiste a educação não há outro remédio senão aceita-las. Com verdadeiro pessimismo pode-se escrever contra a educação, mas o otimismo me imprescindível para estuda-la...e para exerce-la. Os pessimistas podem ser bons domadores, mas não bons professores”

Comments (1)

Anonymous said

at 7:11 pm on Apr 20, 2007

Professora Magali,bem importante a visão que tens sobre educação plena de teus alunos!Vejo em teus escritos o amor que tens com ofício de ser professor.Um abraço.

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